traduções para Frank O’Hara

@Vito Acconci

 

 

Interior (with Jane)

 

The eagerness of objects to

be what we are afraid to do

 

cannot help but move us Is

this willingness to be a motive

 

in us what we reject? The

really stupid things, I mean

 

a can of coffee, a 35 ¢ ear

ring, a handful of hair, what

 

do these things do to us? We

come into the room, the windows

 

are empty, the sun is weak

and slippery on the ice And a

 

sob comes, simply because it is

coldest of the things we know

 

 

Interior (com Jane)

 

A gana dos objetos para

ser o que tememos fazer

 

inevitavelmente nos move Essa

vontade de ser motivo

 

em nós é o que rejeitamos? As

coisas realmente bobas, assim,

 

uma lata de café, uma ar

gola de 35¢, um cacho de cabelo, o

 

que nos fazem essas coisas? Nós

entramos na sala, as janelas

estão vazias, o sol está fraco

e escorregadio no gelo E um

 

soluço sobe, só por que é do que

conhecemos a coisa mais fria

 

*Tradução: João Moura Fernandes e Alexandre Bruno Tinelli

 

 

***

 

Autobiographia Literaria

 

When I was a child

I played by myself in a

corner of the schoolyard

all alone.

 

I hated dolls and I

hated games, animals were

not friendly and birds

flew away.

 

If anyone was looking

for me I hid behind a

tree and cried out “I am

an orphan.”

 

And here I am, the

center of all beauty!

writing these poems!

Imagine!

 

Frank O’Hara

 

Autobiografia literária

 

Quando eu era criança

eu brincava sozinho num

canto da escola

sem ninguém.

 

Eu odiava bonecas e Eu

odiava jogos, animais eram

Inamistosos e pássaros

Fugiam de mim.

 

Se alguém procurava

por mim, escondia-me atrás duma

árvore e gritava “Eu sou

órfão.”

 

E agora eu estou aqui, o

centro de toda a beleza!

escrevendo estes poemas!

Quem diria!

 

*Tradução: João Moura Fernandes