também esta linguagem é pura

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também esta linguagem é pura porque perdeu seu lastro.

são corpos que segredam a pétala temporal,

são tremendos

símbolos do sangue. impenetrável

iminência do verbo: livre deus das coisas

despertas no noturno do peito.

 

— às vezes eu te tenho, palavra,

em bálsamos sobre minha boca, sobre essa seara

de todo trigo, de primeira força minha.

surpreende a palavra acesa no tempo: palavra dormida

entre as coisas altas do sangue.

capaz de estremecer impérios em seu verbo.

de fazer arder pequenos instrumentos em puro sangue.

 

— desperta, linguagem de extremos noturnos, das mãos

de mercúrio, das forças

do trigo. ascende, faísca de um exercício

tremendo

sobre os bálsamos da boca aos pés.

 

haverá então a pétala, instrumento liberto do peito:

palavra, lastro de todas as coisas capazes.

— a teus pés, exercito extremamente

a ascensão.

tenho as alturas acesas de um deus impenetrável.

 

e adentro a ardência, vez da surpresa, mercúrio

iminente:

império primeiro que escorre, símbolo

a símbolo,

dos altos: faiscante mão do tempo,

corpo que tenho.