Breakfast of Champions

BOÎTES D'ALLUMETTES1970

© César Baldaccini, Boites D’Allumettes, 1970

 

Talvez fosse melhor que ficássemos, partir será mais tarde, o sossego é menos perigoso, olha as pessoas agora têm medo das cidades, acabaram com as cidades, aviões de caça circulam sobre edifícios lúdicos e sobre templos, subiram o preço de todas em coisas inclusive da beterraba, a beterraba é que me fazia lembrar teus olhos, os olhos de nossos filhos, me lembra o nome de nossos filhos, talvez seja melhor ficar, contar os arranhões da árvore fundamental, já ninguém sabe quantos somos no mundo, há os chineses e os indianos e os brasileiros e todas as tribos encharcadas de misticismo, veja as pessoas têm medo do amor e das circunstâncias da economia privada, cadê o soco de Muhammad Ali, cadê o desastre definido, está tudo escondido, há muitos movimentos sazonais mas para onde vão os nômades eu não sei, ninguém sabe mais, saudade de mover os playmobils de um canto ao outro da sala, isto era pra ser um café da manhã de campeões, caminharíamos sobre os restos da plantação queimada, tudo seria fértil, a fertilidade se desdobraria aos nossos pés, o solstício governaria nossos relógios, alguém espreitando na esquina iluminada seria o único sinal necessário, mas é, será, as cidades voltarão, os automóveis vão abrandar, o desejo será pai de nossos filhos, tudo diferente e tudo sempre a mesma coisa, os ombros perfumados, o sol se derramando, fiquemos só mais um pouco, partiremos amanhã, amanhã, mas não agora.