manual de autoajuda para roubar begônias

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queira, mas não queira como gordon gekko, não queira liquidar tudo de uma vez,  não queira o que você não quer, não leve uma pedra do jardim para casa para depois esquecê-la, queira, queira a pedra, mas primeiro veja, toque, deseje a pedra aos poucos, roube as coisas que já são suas, roube-as de si mesmo, a pedra pode ser que seja bruta, queira o cinzel, tome posse do que é seu, roube, mas não assalte, roube devagar, sorria para a coisa roubada, dê um osso, abrace, até que a coisa deseje ser sua, até que o rosto apareça na pedra esculpida aos poucos, sem antes ter sido de ninguém. tome conta das coisas que você quer, tome conta de deus, não queira muito, mas queira tudo, lenços novos ou amassados na cesta de uma bicicleta, pegue-os, são seus, a planta de talo bem verde, a begônia ainda não mastigada, não se ofenda com sua beleza, não recue, roube-a, não queira como o caçador de marajás, não faça pacto com o demônio, roube o demônio para dentro de si, endiabre as coisas que você deseja, sorvendo-as, fazendo-as desejarem também, seja hostil com o que não deseja ser roubado e, sobretudo, com quem rouba o que não quer, e então descubra, queira queira, e jamais empreste o que você roubou só porque alguém se ofendeu, empreste tudo para quem quer ferozmente, dê para quem quer o que se deseja, não hesite, dê, não o que lhe pediram, mas o que querem de fato, é preciso perceber a diferença, não preste atenção nas palavras “eu queria tanto”, quem queria não quer mais, apanhe o mundo e dê para quem o desejar, seja como um animal e não recue diante de deus.