homens de guelra

 

Há uma guerra prostrada no supercílio do mar

a humanidade sobre estrelas por afogamento

os pulmões divididos feito a vista de um farol

metade ar a outra água

tudo porque falta terra

tudo porque falta têta

tudo porque falta teto

tudo porque falta à toa

Para cada peixe n’água – há no ar uma andorinha

a multiplicar-se dentro dos pulmões dos

corpos que não sabem que estão

mortos porque acreditam num deus

morto e acreditam em asas

mortas acreditam no amor

no termômetro azul é a crua cor do medo

e a cor da despedida a temperatura azul

e azul a circunstância é preciso imaginar

pra poder imaginar é preciso ser preciso – navegar

preciso chegar perto pra tocar um Brahms pro céu – a tempo

o caminho nada simples qual a roupa que se veste

pra salvar a humanidade ela inteira que sapato?

nua  nua    nua  nua    nua  nua    nua  nua

a espinha os mamilos todos os lábios no vento

desviar pele e pescoço da velha águia os cabelos

ter as mãos feito um ouriço prateado um beijo um laudo

Um homem de chapéu a cavalo a pé não sabe

o inverno na cabeça nem o tamanho do frio

Às vezes as andorinhas mergulham bastante fundo

noutras a hora é do peixe que voa bastante rente

tudo dentro da água do pulmão do mundo

Dentro da água do pulmão do mundo

vive o peixe a multiplicar-se vive a bomba o vendaval

Para cada peixe n’água – ar no ar uma andorinha

para cada peixe vivo – andorinha – a bomba o véu

dentro do pulmão do mundo dentro sal sargaço osso

a multiplicar um peixe outro peixe outro

peixe outro peixe outro peixe outro peixe

outro peixe outro peixe outro peixe outro

peixe outro peixe outro peixe outro peixe

outro peixe outro peixe outro peixe outro

peixe outro peixe outro peixe outro peixe

outro peixe outro peixe outro peixe outro

peixe outro peixe outro peixe outro peixe

outro peixe outro peixe outro peixe outro